Filosofia e depressão
Para ser filósofo não precisa ser depressivo. Vivemos em mundo fabricado onde o indivíduo é forçado, de certa forma, a inserir-se em algum projeto sugestionado pela sociedade. Você deve ter um time do coração, uma religião, uma profissão, participar de determinados grupos, etc.
A filosofia não traz depressão. O problema é que, quando se é iniciado, entra-se em um caminho sem volta rumo à quebra desses paradigmas. Você passa a entender, por exemplo, que os times de futebol tem como objetivo principal fazer com que algumas empresas lucrem com publicidade. A preocupação com o torcedor não é primordial. Se assim fosse, os times mais queridos não cobrariam pelo ingresso, apenas retribuiriam o carinho. O torcedor, nesse cenário, é apenas um mercado consumidor para determinado produto. Isso ocorre em vários outros âmbitos da vida. Pensamos que estamos fazendo uma coisa muito importante, mas na verdade o que fazemos é abdicar de um projeto próprio para condicionar-se a outros que já estão em andamento. Dessa forma, anulamos a nossa possibilidade de liberdade.
Quando se é iniciado em filosofia (pelo menos aquele que estuda com um pouquinho mais de seriedade) aprende-se a olhar o mundo de uma forma desconfiada. Através desse olhar, é que se percebe que muita coisa que considerávamos relevantes não passam de superficialidades, de forma sem conteúdo. É como se o encanto fosse quebrado, assim como as mágicas do Mister M. Quando se sabe o truque que está por trás da ilusão, aquilo que era encantador torna-se sem graça. O problema é que quando se descobre o segredo do truque, não há outra coisa para colocar no lugar. É como encarar a vida de cara limpa. É nesse sentido que as vezes a vida do filósofo torna-se menos "emocionante" do que a vida daqueles que estão encantados e embriagados por alguma ideologia.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Anpof (Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia)
De dois em dois anos acontecem Encontros Nacionais, onde estão presentes os maiores pesquisadores nacionais, bem como também estrangeiros.
Os últimos dois encontros ocorreram na Bahia, em 2004 e 2006. Em 2008 acontecerá em Canela, no Rio Grande do Sul.
Um dos principais objetivos da Anpof é fomentar a investigação filosófica no país.
Quem quiser saber mais é só acessar o link do site da Anpof que está nesta página.
Os últimos dois encontros ocorreram na Bahia, em 2004 e 2006. Em 2008 acontecerá em Canela, no Rio Grande do Sul.
Um dos principais objetivos da Anpof é fomentar a investigação filosófica no país.
Quem quiser saber mais é só acessar o link do site da Anpof que está nesta página.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Arquivo Super interessante
Essa é muito boa!
Os editores da revista "Super interessante" liberaram os arquivos contendo todas as edições publicadas nos últimos 20 anos. O conteúdo é muito bom e diversificado. Matérias diversas sobre filosofia, ciência, história, comportamento, etc. É só acessar o link ao lado. Vale a pena conferir!
Os editores da revista "Super interessante" liberaram os arquivos contendo todas as edições publicadas nos últimos 20 anos. O conteúdo é muito bom e diversificado. Matérias diversas sobre filosofia, ciência, história, comportamento, etc. É só acessar o link ao lado. Vale a pena conferir!
Livros de Filosofia para baixar
Serviço de Utilidade Pública!
Quando eu estava ainda na graduação do curso de filosofia, passei por maus bocados na no que diz respeito ao material didático para estudar. As boas traduções e edições são muito caras, pouco acessíveis à maioria dos estudantes. O outra solução era a xerocar os textos. Entretanto essa via também trazia consigo alguns inconvinientes. Primeiro, também não estava isenta de custos. Segundo dá um trabalhão para guardar todas aquelas folhas de papel. Todo esse conhecimento impresso acaba indo para o lixo. Pensando nisso, resolvi disponibilizar no meu blog links para livros de filosofia. A maioria são edições consagradas e de boa qualidade. E o melhor: inteiramente grátis!!!
Portanto disponham e aproveitem a leitura!
Quando eu estava ainda na graduação do curso de filosofia, passei por maus bocados na no que diz respeito ao material didático para estudar. As boas traduções e edições são muito caras, pouco acessíveis à maioria dos estudantes. O outra solução era a xerocar os textos. Entretanto essa via também trazia consigo alguns inconvinientes. Primeiro, também não estava isenta de custos. Segundo dá um trabalhão para guardar todas aquelas folhas de papel. Todo esse conhecimento impresso acaba indo para o lixo. Pensando nisso, resolvi disponibilizar no meu blog links para livros de filosofia. A maioria são edições consagradas e de boa qualidade. E o melhor: inteiramente grátis!!!
Portanto disponham e aproveitem a leitura!
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Livros e programas grátis para baixar
Descobri um ótimo site que oferece livros e programas para baixar totalmente grátis. São temas variados, além de orientar como é possível livrar-se da ditadura da Internet. Visitem. É ótimo. Estou disponibilizando o link ao lado. O nome do site é Coletivo Sabotagem.
O Estrangeiro (trecho)
"Também lá, em redor desse asilo onde as vidas
se apagavam, a noite era como uma treva melancólica. Tão perto
da morte, a minha mãe deve ter-se sentido libertada e pronta a tudo
reviver. Ninguém, ninguém tinha o direito de chorar sobre ela.
Também eu me sinto pronto a tudo reviver. Como se esta grande
cólera me tivesse limpo do mal, esvaziado da esperança, diante
desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu abria-me pela
primeira vez à terna indiferença do mundo. Por o sentir tão parecido
comigo, tão fraternal, senti que fora feliz e que ainda o era. Para que
tudo ficasse consumado, para que me sentisse menos só, faltava-me
desejar que houvesse muito público no dia da minha execução e que
os espectadores me recebessem com gritos de ódio."
Albert Camus, "O Estrangeiro"
se apagavam, a noite era como uma treva melancólica. Tão perto
da morte, a minha mãe deve ter-se sentido libertada e pronta a tudo
reviver. Ninguém, ninguém tinha o direito de chorar sobre ela.
Também eu me sinto pronto a tudo reviver. Como se esta grande
cólera me tivesse limpo do mal, esvaziado da esperança, diante
desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu abria-me pela
primeira vez à terna indiferença do mundo. Por o sentir tão parecido
comigo, tão fraternal, senti que fora feliz e que ainda o era. Para que
tudo ficasse consumado, para que me sentisse menos só, faltava-me
desejar que houvesse muito público no dia da minha execução e que
os espectadores me recebessem com gritos de ódio."
Albert Camus, "O Estrangeiro"
O Estrangeiro (trecho)
"Pouco depois o chefe mandou-me chamar e fiquei
aborrecido porque pensei que me ia dizer para telefonar menos e
trabalhar mais. Não era nada disso. Declarou que me ia falar
num projeto ainda muito vago. Queria apenas saber a minha
opinião sobre o assunto. Tencionava instalar um escritório em
Paris, para tratar diretamente com as grandes companhias
e perguntou-me se eu estava disposto a ir. Poderia assim viver em
Paris e viajar durante parte do ano. "Você ainda é novo e creio que
essa vida lhe agradaria". Disse que sim, mas que no fundo me era
indiferente. Perguntou-me depois se eu não gostava de uma
mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em
todos os casos, todas as vidas se equivaliam e que a minha, aqui,
não me desagradava."
Albert Camus
aborrecido porque pensei que me ia dizer para telefonar menos e
trabalhar mais. Não era nada disso. Declarou que me ia falar
num projeto ainda muito vago. Queria apenas saber a minha
opinião sobre o assunto. Tencionava instalar um escritório em
Paris, para tratar diretamente com as grandes companhias
e perguntou-me se eu estava disposto a ir. Poderia assim viver em
Paris e viajar durante parte do ano. "Você ainda é novo e creio que
essa vida lhe agradaria". Disse que sim, mas que no fundo me era
indiferente. Perguntou-me depois se eu não gostava de uma
mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em
todos os casos, todas as vidas se equivaliam e que a minha, aqui,
não me desagradava."
Albert Camus
sexta-feira, 11 de abril de 2008
quinta-feira, 10 de abril de 2008
A Busca
A busca parece ser, antes de uma ação, um sentimento humano. A inquietação, a pergunta que não quer calar, a discrepância entre o que ouvimos e o que vemos, são os principais móveis para a procura constante de uma resposta . Evidentemente este mal (ou bem, a depender do ponto de vista e do indivíduo) não se estende a todos. A maioria dos homens parecem satisfeitos com as explicações que receberam desde a infância. A busca, essa necessidade de saber mais sobre os rumos do nosso destino, são reservados àqueles que desejam sinceramente exercer a sua humanidade[1]. Os que não necessitam buscar, já estão satisfeitos com as explicações oferecidas pelos noticiários, pelas igrejas, professores, livros de auto-ajuda, etc.
Aqui, refiro-me à busca genuína, aquela que nos incomoda quando estamos sozinhos, nos colocam diante de dilemas toda vez que um novo caminho se apresenta. Normalmente é sugerida pelo espírito que deseja um remédio, um calmante para ficar dentro de nós quietinho e deixar de nos incomodar não definitiva, mas apenas temporariamente.
Não posso dizer que pelo menos uma vez na vida nos questionamos a respeito do real motivo de se estar aqui neste mundo. Efetivamente há pessoas que jamais se interrogarão a esse respeito. Isso não quer dizer que se trata de seres inferiores na escala da existência. Definitivamente, não. A necessidade de abrandar a turbulência que agita o espírito é o que conduz o homem na direção da busca. Quando se está acomodado confortavelmente neste mundo, a última coisa que desejamos é sair deste lugar e se expor aos perigos da inquietação, correndo o risco de perder o seu refúgio e ficar vagando sem paradeiro certo, sem pátria e sem exílio. Se já decidimos o caminho a ser percorrido e estamos certos de que esta é a única estrada possível, só nos resta a resignação e tentar aproveitar a viagem comodamente. Por outro lado, se inúmeras possibilidades são apresentadas, a escolha é muito dolorida. Optar por um dos caminhos é negar e deixar para trás todos os outros. É abandonar todas as outras formas possíveis de viver.
Vez ou outra, aparece um filósofo, um profeta, um pastor ou cantor de banda de rock que diz algo diferente sobre a forma de se viver. Decerto, é sempre bom ter alternativas quando temos que fazer escolhas. O problema é que algumas pessoas, irrefletidamente, vão muito mais além do que isso. Aderem esses pontos de vista como única realidade possível. A opinião passa a ter o mesmo valor que a verdade. Blindada por todos os lados, transforma-se em seitas, partidos, sociedades, etc. Os indivíduos absorvidos por esta “verdade” são capazes de sacrificar até a própria vida em nome da “causa”. Tentam desesperadamente convencer outros a aceitarem a mesma idéia. Dessa forma validam a ação, na medida em sentem-se seguros “todo mundo” acredita na mesma coisa que ele.
Como diz um antigo adágio, “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Pois bem, não se quer dizer que o pastor, o filósofo, o profeta, o cantor de rock, ou qualquer outro que apresente uma ideologia como orientação para a ação, estejam maldosamente intencionado a conduzir as pessoas que fazem parte de sua audiência ao caminho do engodo. A crítica reside somente na postura de aceitar a unilateralidade como via para julgar a realidade. Não há equívoco em se escolher uma ideologia para viver. O problema é que muitas pessoas não investigam o caminho proposto antes de percorrê-lo. É como receber uma encomenda sem olhar o que tem dentro e acreditar piamente que conteúdo declarado está dentro da caixa certamente. É justamente nesse ponto frágil que agem os aproveitadores, aqueles que “possuem um olho só” em meio aos cegos. Se sabem de antemão que o outro não costuma olhar o que tem dentro pacote, o que os impediria de oferecer um pacote vazio ou com conteúdo diferente ao receptor negligente? Absolutamente nada a não ser os valores que cultiva. Como bem sabemos, nem sempre os valores éticos são observados quando se deseja chegar a um objetivo. “Os fins justificam os meios”, mesmo que os meios sejam injustificados. Mas o que se quer dizer em verdade? É que desejo de acreditar em vez do desejo de buscar pode custar a liberdade. Muitos caem nas presas de toda sorte de demagogos e espertalhões exatamente por esse motivo. O caminho mais fácil, ou o mais confortável, pode nos conduzir a um lugar que não gostaríamos de estar ou então pior do que aquele em que estamos agora.
Para onde ir então? Não se sabe. Está em aberto. É o preço a ser pago por escolher a busca, lugar onde moram a angústia e a incerteza. É semelhante a viver em um deserto, em uma floresta ou nas ruas. No entanto parece ainda ser uma via melhor do que optar pela prisão onde tudo é explicado, porém sem nenhuma garantia final.
Rafael Dias.
[1] Humanidade aqui não quer dizer simplesmente ser homem. Representa algo mais, que vai na direção de um desejo de querer se realizar, querer ser pleno, ir além do sentido aparente que é oferecido sob as mais variadas formas de ideologias (N. do autor).
rapheldiaz_1@yahoo.com.br
A busca parece ser, antes de uma ação, um sentimento humano. A inquietação, a pergunta que não quer calar, a discrepância entre o que ouvimos e o que vemos, são os principais móveis para a procura constante de uma resposta . Evidentemente este mal (ou bem, a depender do ponto de vista e do indivíduo) não se estende a todos. A maioria dos homens parecem satisfeitos com as explicações que receberam desde a infância. A busca, essa necessidade de saber mais sobre os rumos do nosso destino, são reservados àqueles que desejam sinceramente exercer a sua humanidade[1]. Os que não necessitam buscar, já estão satisfeitos com as explicações oferecidas pelos noticiários, pelas igrejas, professores, livros de auto-ajuda, etc.
Aqui, refiro-me à busca genuína, aquela que nos incomoda quando estamos sozinhos, nos colocam diante de dilemas toda vez que um novo caminho se apresenta. Normalmente é sugerida pelo espírito que deseja um remédio, um calmante para ficar dentro de nós quietinho e deixar de nos incomodar não definitiva, mas apenas temporariamente.
Não posso dizer que pelo menos uma vez na vida nos questionamos a respeito do real motivo de se estar aqui neste mundo. Efetivamente há pessoas que jamais se interrogarão a esse respeito. Isso não quer dizer que se trata de seres inferiores na escala da existência. Definitivamente, não. A necessidade de abrandar a turbulência que agita o espírito é o que conduz o homem na direção da busca. Quando se está acomodado confortavelmente neste mundo, a última coisa que desejamos é sair deste lugar e se expor aos perigos da inquietação, correndo o risco de perder o seu refúgio e ficar vagando sem paradeiro certo, sem pátria e sem exílio. Se já decidimos o caminho a ser percorrido e estamos certos de que esta é a única estrada possível, só nos resta a resignação e tentar aproveitar a viagem comodamente. Por outro lado, se inúmeras possibilidades são apresentadas, a escolha é muito dolorida. Optar por um dos caminhos é negar e deixar para trás todos os outros. É abandonar todas as outras formas possíveis de viver.
Vez ou outra, aparece um filósofo, um profeta, um pastor ou cantor de banda de rock que diz algo diferente sobre a forma de se viver. Decerto, é sempre bom ter alternativas quando temos que fazer escolhas. O problema é que algumas pessoas, irrefletidamente, vão muito mais além do que isso. Aderem esses pontos de vista como única realidade possível. A opinião passa a ter o mesmo valor que a verdade. Blindada por todos os lados, transforma-se em seitas, partidos, sociedades, etc. Os indivíduos absorvidos por esta “verdade” são capazes de sacrificar até a própria vida em nome da “causa”. Tentam desesperadamente convencer outros a aceitarem a mesma idéia. Dessa forma validam a ação, na medida em sentem-se seguros “todo mundo” acredita na mesma coisa que ele.
Como diz um antigo adágio, “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Pois bem, não se quer dizer que o pastor, o filósofo, o profeta, o cantor de rock, ou qualquer outro que apresente uma ideologia como orientação para a ação, estejam maldosamente intencionado a conduzir as pessoas que fazem parte de sua audiência ao caminho do engodo. A crítica reside somente na postura de aceitar a unilateralidade como via para julgar a realidade. Não há equívoco em se escolher uma ideologia para viver. O problema é que muitas pessoas não investigam o caminho proposto antes de percorrê-lo. É como receber uma encomenda sem olhar o que tem dentro e acreditar piamente que conteúdo declarado está dentro da caixa certamente. É justamente nesse ponto frágil que agem os aproveitadores, aqueles que “possuem um olho só” em meio aos cegos. Se sabem de antemão que o outro não costuma olhar o que tem dentro pacote, o que os impediria de oferecer um pacote vazio ou com conteúdo diferente ao receptor negligente? Absolutamente nada a não ser os valores que cultiva. Como bem sabemos, nem sempre os valores éticos são observados quando se deseja chegar a um objetivo. “Os fins justificam os meios”, mesmo que os meios sejam injustificados. Mas o que se quer dizer em verdade? É que desejo de acreditar em vez do desejo de buscar pode custar a liberdade. Muitos caem nas presas de toda sorte de demagogos e espertalhões exatamente por esse motivo. O caminho mais fácil, ou o mais confortável, pode nos conduzir a um lugar que não gostaríamos de estar ou então pior do que aquele em que estamos agora.
Para onde ir então? Não se sabe. Está em aberto. É o preço a ser pago por escolher a busca, lugar onde moram a angústia e a incerteza. É semelhante a viver em um deserto, em uma floresta ou nas ruas. No entanto parece ainda ser uma via melhor do que optar pela prisão onde tudo é explicado, porém sem nenhuma garantia final.
Rafael Dias.
[1] Humanidade aqui não quer dizer simplesmente ser homem. Representa algo mais, que vai na direção de um desejo de querer se realizar, querer ser pleno, ir além do sentido aparente que é oferecido sob as mais variadas formas de ideologias (N. do autor).
rapheldiaz_1@yahoo.com.br
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