sexta-feira, 21 de maio de 2010

Pensando na vida

Pensando na vida

Às vezes me pego pensando na vida. Pensamento ingratos , é claro, pois vida não é coisa para ser pensada, mas somente vivida. Vida pensada é corromper a natureza. Então, muitas vezes me pego corrompendo a natureza e me dá vontade de mudar tudo inconseqüentemente, aproveitar o ímpeto que o momento suscita. Nessas horas quero ser tudo que não fui e cuidar para que, no futuro, eu venha a ser somente aquilo que eu quero. Mas penso na vida de novo, e novamente volto para o momento anterior à reflexão. Me vejo covarde. Me vejo prudente. Me vejo e não me reconheço...
Seria mais fácil não pensar. Muita gente faz isso bem. Abdicam exageradamente da faculdade que o criador lhes ofereceu. Agem guiados somente pelos instintos. Realizam Nietzsche e não sentem culpa. Transbordam o ser e deliciam-se com o perigo de subverter as regras que orientam e saciam as expectativas alheias. O sujeito cognoscente dá lugar ao sujeito que sente. Tudo tem seu preço. A vida sabe e motiva. O indivíduo civilizado recua. Tá certo?
Há jogos que só permitem duas opções. Ou se ganha ou se perde. Quem aposta alto, corre o risco de ficar rico. Ou então perecer, e cair nas amarras da pobreza. Aqui não cabe o meio termo como pregava Aristóteles. O médio é o medíocre, é o nada. É comer e satisfazer-se sem sabor. Embora a fome não o incomode, o prazer também não é completo. É sexo sem gozo. É vitória sem título. É ter e não ser dono...
E se no dia do pagamento do meu salário eu pegasse todo o dinheiro e apostasse no jogo do bicho. Ficaria rico, ou, pelo menos teria uma mudança econômica significativa em minha vida. Se perdesse, como, infelizmente as probabilidades teimam em apontar como o mais certo, ficaria sem pagar o aluguel e as compras do mês, o transporte para o trabalho e todas as outras obrigações que um “dito cidadão respeitável” deve cumprir. Não sei se é mais confortável o limbo e a vida insossa ou o calor do inferno ou a paz do céu. Sei somente que é imensamente angustiante a sensação se ver no meio de uma estrada, sem estar em uma cidade ou outra. Mas a vida é assim mesmo, feita de escolhas. Só o tempo vai dizer se acertamos.
Enquanto isso, mesmo com todos os inconvenientes, vou continuar pensando na vida, e, por conseqüência, corrompendo a natureza. Se não sei ao certo o que fazer, não posso me furtar de continuar minha procura. Quem sabe um dia eu chegue e possa curtir as outras possibilidades que a vida nos dá.


Rafael Dias