Lí essa piada.Achei ótima e decidi compartilhar com vocês.
Filosofia de Botiquim.
1) Não sou um completo inútil... ao menos sirvo de mau exemplo.
2) Se você não é parte da solução é parte do problema.
3) Errar é humano, mas achar em quem colocar a culpa é mais humano ainda.
4) Meu Deus, dai-me paciência... mas tem que ser já!
5) O importante não é saber, mas ter o telefone de quem sabe. 8-))))))
6) O que sabe, sabe. O que não sabe é chefe
7) É bom deixar a bebida. O mau é não se lembrar aonde.
8) Existe um mundo melhor, mas é caríssimo.
9) A mulher que não tem sorte com os homens, não sabe a sorte que tem.
10) Trabalhar nunca matou ninguém, mas... por que se arriscar?
11) Não leve a vida tão a sério, afinal nem sairá vivo dela!
12) O álcool mata lentamente. Não tem problema, eu não tenho pressa.
13) Mate-se de estudar e será um cadáver culto.
14) São três as frases que abrem muitas portas: "Puxe", "Empurre" e
"Sai da Minha Frente".
quinta-feira, 29 de maio de 2008
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Jesus, marketing e poder
Muitas vezes ligo a televisão, mais por hábito que por gosto, e tenho a infeliz sensação da frustração de não ter nada para assistir. Não consigo encontrar nada que me interesse. Mas isso não é lá grande uma novidade.
A grande novidade foi a constatação que pude fazer outro dia. Acordei num sábado de manhã acionei o nefasto aparelho na esperança de me distrair enquanto continuava deitado na cama. Percebi uma estranha coincidência. À medida que eu passava os canais, inflamado pela expectativa infundada de encontrar algo que fosse “da minha conta”, pude observar que repetiam-se canais e mais canais que passavam programas religiosos. Logo pensei: “será que não tem nada melhor para passar num dia de sábado de manhã quando a gente acorda de ressaca?” Realmente não tem nada melhor. O resto do dia também não tem muita coisa que preste. Mas não foi esse o meu achado. Instigado pela descoberta desse fenômeno, resolvi me deter um pouquinho para tentar entender o porquê.
Primeiro contei quantos canais passavam em minha televisão naquela manhã. Depois contei quantos canais relacionados à instituições religiosas. Dos dezessete canais, nove exibiam programação de igrejas de diferentes denominações. Fiquei surpreso. Como sabemos, as emissoras de televisão tem fins comerciais, ou seja, criam programas que chamem a atenção para que empresas paguem para anunciar nos intervalos. Bem, essa é razão social da televisão. Por quê não colocar na grade um programa de esportes? Talvez tivesse mais audiência. Quem sabe até a minha? Como já disse, quando se trata de “fins comerciais”, vende-se a quem paga mais. Logo os representantes de Jesus tinham mais dinheiro que algumas empresas que poderiam anunciar no mesmo horário.
Sem dúvida, Jesus é uma marca muito lucrativa. Não sou eu que estou dizendo. A própria História já mostrou isso várias vezes. A “Companhia de Jesus” cumpriu direitinho o seu papel de amansar os índios para que estes não incomodassem mais os negócios de Portugal. As “Cruzadas” afiguram-se como um outro exemplo fantástico. Em nome de Jesus e dos santos, europeus invadiram o oriente para tirar o santo sepulcro das mãos dos “malvados” islâmicos. De quebra trouxeram também várias riquezas que pertenciam aos turcos. A medida que o negócio ficava lucrativo, mais e mais indivíduos aventureiros se animavam a servir à “causa santa”. Por esta época também era muito comum vender pedaços da cruz onde Jesus foi crucificado. Ossos de santos e toda sorte de apetrechos relacionados à figura do Filho de Deus também entravam nesta lista. No século XVI, os burgueses, incentivaram o desenvolvimento de uma nova vertente do cristianismo, o protestantismo. Isso porquê a Igreja católica condenava a usura, e ficava com uma parte dos lucros dos comerciantes desse tempo. Era preciso uma mudança de mentalidade. A bíblia tinha que ser interpretada de sorte que Jesus aprovasse, legitimasse a “prosperidade financeira”. Assim os burgueses poderiam fazer seus negócios com a consciência e o bolso tranqüilos. Lutero e Calvino cuidaram disso muito bem.
A “marca” Jesus é extremamente versátil. Pode ser usada para legitimar uma guerra. Também é muito eficiente em eleições. Um “homem de Deus” e seguidor de Jesus, aparentemente é muito mais confiável do que um sujeito “do mundo”.
Tampouco é necessário o uso da coerência. Neste mesmo sábado, onde tive a minha tentativa de assistir TV frustrada, pude ver com meus próprios olhos, que a terra e os vermes hão de comer, uma curiosa inferência lógica. Um pastor dizia aos brados que o fiel que adquirisse um tal carnê da fé conseguiria resolver “do nada” todos os seus problemas pessoais. Dizia que “do nada” a dívida seria paga. Também “do nada” o marido deixaria de beber. “Do nada” surgiria a tão sonhada casa própria. Obviamente me interessei pelo tal carnê. Há dois anos tento comprar a minha casa própria. Nunca vi uma solução tão simples para um problema. Resolvi então, refazer o argumento do pastor na tentativa de entender o método de conseguir o que eu desejava. Bem, o que é o nada? O nada é nada. Dentro do nada há o quê? Há nada. Logo, o que vem do nada necessariamente tem que ser nada. Pois é, achei essa relação de causa e efeito muito arriscada para mim. Decidi mudar de canal. O outro parecia ser mais realista e mais em acordo com a razão social da televisão. Camisetas, bíblias especiais em edições luxuosas tudo em promoção e dividido em várias vezes no cartão. Era possível encontrar também livros com a “palavra de Jesus” adaptada à toda sorte de necessidades, tipo: “como ter uma família abençoada” , “Jesus nos negócios”, “Jesus no amor”, dentre outros da mesma natureza. CDs de Jesus também eram vendidos e chegavam pelo correio. Muita coisa com o nome de dele era negociada. Tava explicado o mistério da grande quantidade de canais passando a “mensagem de Jesus”.
Sempre que posso, leio a bíblia. Jesus, o homem, é uma figura fantástica. Admiro muito a sua postura e suas sábias palavras. Acho uma pena ela ser tão destorcida e utilizada para fins tão desconexos com as suas idéias. Ainda bem que decidi fazer como o tão criticado discípulo, Tomé. Decidi ver para crer. Acabei me deparando com uma estrutura de pensamento sofisticadíssima, além de uma teoria ética extraordinária. Sua doutrina expressa um profundo humanismo. Talvez ele ficasse um pouco chateado com o que algumas pessoas fazem com a sua imagem.
Mas uma coisa eu tenho que concordar com os representantes comerciais de Jesus, não o homem, mas a marca. A palavra “Jesus” é realmente poderosa e faz milagres. Principalmente os econômicos. Já foi testada com sucesso muitas vezes na história. Os resultados comprovam uma respeitável eficiência. Enquanto objeto de marketing oferece imensas vantagens aos anunciantes. Não cobra cachê. Não se envolve com prostitutas nem travestis. Não reclama se a sua imagem é utilizada para além daquilo que foi estabelecido em contrato. E o melhor, é extremamente querido e todos confiam nele.
E aí? Você acha que tem garoto propaganda melhor que este. Duvido que a Nike ou a Coca-Cola tenha mais prestígio como marca quanto este nome. É um nome a ser pensado nas próximas contratações. O sucesso é garantido. O mercado é grande e os fãs são muitos. Não me espantaria se eu ligasse a televisão novamente e visse um homem trintão de cabelos cumpridos dando um gole saboroso em um refrigerante, fazendo aquela zoadinha de frescor (ahhrrr!) e dizendo: “Imagem não é nada. Sede é tudo. Beba...! Eu aprovo!
A grande novidade foi a constatação que pude fazer outro dia. Acordei num sábado de manhã acionei o nefasto aparelho na esperança de me distrair enquanto continuava deitado na cama. Percebi uma estranha coincidência. À medida que eu passava os canais, inflamado pela expectativa infundada de encontrar algo que fosse “da minha conta”, pude observar que repetiam-se canais e mais canais que passavam programas religiosos. Logo pensei: “será que não tem nada melhor para passar num dia de sábado de manhã quando a gente acorda de ressaca?” Realmente não tem nada melhor. O resto do dia também não tem muita coisa que preste. Mas não foi esse o meu achado. Instigado pela descoberta desse fenômeno, resolvi me deter um pouquinho para tentar entender o porquê.
Primeiro contei quantos canais passavam em minha televisão naquela manhã. Depois contei quantos canais relacionados à instituições religiosas. Dos dezessete canais, nove exibiam programação de igrejas de diferentes denominações. Fiquei surpreso. Como sabemos, as emissoras de televisão tem fins comerciais, ou seja, criam programas que chamem a atenção para que empresas paguem para anunciar nos intervalos. Bem, essa é razão social da televisão. Por quê não colocar na grade um programa de esportes? Talvez tivesse mais audiência. Quem sabe até a minha? Como já disse, quando se trata de “fins comerciais”, vende-se a quem paga mais. Logo os representantes de Jesus tinham mais dinheiro que algumas empresas que poderiam anunciar no mesmo horário.
Sem dúvida, Jesus é uma marca muito lucrativa. Não sou eu que estou dizendo. A própria História já mostrou isso várias vezes. A “Companhia de Jesus” cumpriu direitinho o seu papel de amansar os índios para que estes não incomodassem mais os negócios de Portugal. As “Cruzadas” afiguram-se como um outro exemplo fantástico. Em nome de Jesus e dos santos, europeus invadiram o oriente para tirar o santo sepulcro das mãos dos “malvados” islâmicos. De quebra trouxeram também várias riquezas que pertenciam aos turcos. A medida que o negócio ficava lucrativo, mais e mais indivíduos aventureiros se animavam a servir à “causa santa”. Por esta época também era muito comum vender pedaços da cruz onde Jesus foi crucificado. Ossos de santos e toda sorte de apetrechos relacionados à figura do Filho de Deus também entravam nesta lista. No século XVI, os burgueses, incentivaram o desenvolvimento de uma nova vertente do cristianismo, o protestantismo. Isso porquê a Igreja católica condenava a usura, e ficava com uma parte dos lucros dos comerciantes desse tempo. Era preciso uma mudança de mentalidade. A bíblia tinha que ser interpretada de sorte que Jesus aprovasse, legitimasse a “prosperidade financeira”. Assim os burgueses poderiam fazer seus negócios com a consciência e o bolso tranqüilos. Lutero e Calvino cuidaram disso muito bem.
A “marca” Jesus é extremamente versátil. Pode ser usada para legitimar uma guerra. Também é muito eficiente em eleições. Um “homem de Deus” e seguidor de Jesus, aparentemente é muito mais confiável do que um sujeito “do mundo”.
Tampouco é necessário o uso da coerência. Neste mesmo sábado, onde tive a minha tentativa de assistir TV frustrada, pude ver com meus próprios olhos, que a terra e os vermes hão de comer, uma curiosa inferência lógica. Um pastor dizia aos brados que o fiel que adquirisse um tal carnê da fé conseguiria resolver “do nada” todos os seus problemas pessoais. Dizia que “do nada” a dívida seria paga. Também “do nada” o marido deixaria de beber. “Do nada” surgiria a tão sonhada casa própria. Obviamente me interessei pelo tal carnê. Há dois anos tento comprar a minha casa própria. Nunca vi uma solução tão simples para um problema. Resolvi então, refazer o argumento do pastor na tentativa de entender o método de conseguir o que eu desejava. Bem, o que é o nada? O nada é nada. Dentro do nada há o quê? Há nada. Logo, o que vem do nada necessariamente tem que ser nada. Pois é, achei essa relação de causa e efeito muito arriscada para mim. Decidi mudar de canal. O outro parecia ser mais realista e mais em acordo com a razão social da televisão. Camisetas, bíblias especiais em edições luxuosas tudo em promoção e dividido em várias vezes no cartão. Era possível encontrar também livros com a “palavra de Jesus” adaptada à toda sorte de necessidades, tipo: “como ter uma família abençoada” , “Jesus nos negócios”, “Jesus no amor”, dentre outros da mesma natureza. CDs de Jesus também eram vendidos e chegavam pelo correio. Muita coisa com o nome de dele era negociada. Tava explicado o mistério da grande quantidade de canais passando a “mensagem de Jesus”.
Sempre que posso, leio a bíblia. Jesus, o homem, é uma figura fantástica. Admiro muito a sua postura e suas sábias palavras. Acho uma pena ela ser tão destorcida e utilizada para fins tão desconexos com as suas idéias. Ainda bem que decidi fazer como o tão criticado discípulo, Tomé. Decidi ver para crer. Acabei me deparando com uma estrutura de pensamento sofisticadíssima, além de uma teoria ética extraordinária. Sua doutrina expressa um profundo humanismo. Talvez ele ficasse um pouco chateado com o que algumas pessoas fazem com a sua imagem.
Mas uma coisa eu tenho que concordar com os representantes comerciais de Jesus, não o homem, mas a marca. A palavra “Jesus” é realmente poderosa e faz milagres. Principalmente os econômicos. Já foi testada com sucesso muitas vezes na história. Os resultados comprovam uma respeitável eficiência. Enquanto objeto de marketing oferece imensas vantagens aos anunciantes. Não cobra cachê. Não se envolve com prostitutas nem travestis. Não reclama se a sua imagem é utilizada para além daquilo que foi estabelecido em contrato. E o melhor, é extremamente querido e todos confiam nele.
E aí? Você acha que tem garoto propaganda melhor que este. Duvido que a Nike ou a Coca-Cola tenha mais prestígio como marca quanto este nome. É um nome a ser pensado nas próximas contratações. O sucesso é garantido. O mercado é grande e os fãs são muitos. Não me espantaria se eu ligasse a televisão novamente e visse um homem trintão de cabelos cumpridos dando um gole saboroso em um refrigerante, fazendo aquela zoadinha de frescor (ahhrrr!) e dizendo: “Imagem não é nada. Sede é tudo. Beba...! Eu aprovo!
terça-feira, 13 de maio de 2008
Orkut
Outro dia estava pensando no que me levava a participar do Orkut, esse famigerado site de relacionamentos. Parece até leviano deter-se e desperdiçar o tempo com uma questão tão fútil. De certa forma, seria mais um motivo para reforçar a idéia de que professores de filosofia são indivíduos que vivem fora da realidade.
Eu participava de várias comunidades. Normalmente meus domínios prediletos tinham nomes relacionados à inteligência, ao saber, à filosofia e outros afins. Entretanto, nem sempre o nome corresponde à coisa, e aparência acaba saindo vitoriosa frente à essência.
Um belo dia me peguei discutindo filosofia com um indivíduo que a odiava. No estágio em que chegamos, odiar não é mais novidade. Não me surpreende. O mais curioso é que tal tamanha aversão parecia injustificada, tendo em conta que o sujeito parecia não ter a mínima idéia do que estava falando. Simplesmente odiava. Cheguei a conversar um certo tempo, até o momento em que pude fazer esta constatação. Deveria ser óbvia para mim à primeira vista, tendo em conta que estava em uma comunidade onde as pessoas se dedicava exclusivamente à esta atividade. Entrei somente por curiosidade, para saber o as razões de alguém detestar algo que me encanta. Mais tarde entrei em uma comunidade que defendia e valorizava a inteligência (quanta presunção minha e dos meus pares também!). Esta parecia um pouco melhor. Pelo menos dava para perceber que algumas pessoas tinham feito leituras que eu já fiz. Havia muitos assuntos com os quais eu também tinha simpatia. Cheguei até a conversar com algumas pessoas sobre Camus*. O problema é que as opiniões eram tão artificiais, tão repetitivas, tão fantasiosas (maiores até que as minhas que me julgava ignorante e esperava aprender com os meus colegas especialistas) que um dos assuntos que eu mais gostava de discutir tornou-se completamente enfadonho e repetitivo. Se eu não tivesse, anteriormente, a oportunidade de ter contato com a obra de uma mente tão sutil como a deste argelino, talvez acabasse sentindo ojeriza do autor. Lembro-me que, na faculdade, havia um professor que sempre falava: “É preciso beber água diretamente da fonte. Nem sempre sabemos o que fizeram com ela no meio do caminho”. Meu Deus! À noite foi pior ainda. Conversando com um outro sujeito (até que o papo estava bom!) sobre o desencanto que a filosofia provoca quando quebra as nossas ilusões, muitas vezes alimentadas por toda sorte de ideologias que permeiam o imaginário popular, acabei fomentando um situação inusitada. Alguém que observava a conversa teve a brilhante idéia de criar um tópico desastroso. Eu ainda tive a infelicidade de respondê-lo.
Tal tópico propunha um estranho dilema para os participantes: “É melhor ser um filósofo depressivo ou um idiota feliz?”. Pois é, muitas pessoas se enquadraram nas duas categorias. Inclusive justificando as vantagens e desvantagens inerentes à uma ou outra condição. O tópico é aparentemente ingênuo. Entretanto, quando se escolhe um desses grupos para fazer parte acaba-se admitindo que o filósofo é um indivíduo depressivo ou que os idiotas são felizes em sua inépcia. O problema é que eu não me sentia incluído em nenhuma dessas categorias. Mais uma vez acabei como o peixe fora dagua.
Esse é mais um sinal do esvaziamento, da falta de sentido proporcionada pela forma de viver que escolhemos. As ideologias, as religiões de massa, o apelo à felicidade através do consumo terminam isolando os indivíduos, que vão se tornando cada vez mais artificiais, tal qual o mundo que vivem. Eu também não estou livre. Vez ou outra também sou seduzido pelo impulso. Não resisto e “dou uma espiadinha”.
Eu participava de várias comunidades. Normalmente meus domínios prediletos tinham nomes relacionados à inteligência, ao saber, à filosofia e outros afins. Entretanto, nem sempre o nome corresponde à coisa, e aparência acaba saindo vitoriosa frente à essência.
Um belo dia me peguei discutindo filosofia com um indivíduo que a odiava. No estágio em que chegamos, odiar não é mais novidade. Não me surpreende. O mais curioso é que tal tamanha aversão parecia injustificada, tendo em conta que o sujeito parecia não ter a mínima idéia do que estava falando. Simplesmente odiava. Cheguei a conversar um certo tempo, até o momento em que pude fazer esta constatação. Deveria ser óbvia para mim à primeira vista, tendo em conta que estava em uma comunidade onde as pessoas se dedicava exclusivamente à esta atividade. Entrei somente por curiosidade, para saber o as razões de alguém detestar algo que me encanta. Mais tarde entrei em uma comunidade que defendia e valorizava a inteligência (quanta presunção minha e dos meus pares também!). Esta parecia um pouco melhor. Pelo menos dava para perceber que algumas pessoas tinham feito leituras que eu já fiz. Havia muitos assuntos com os quais eu também tinha simpatia. Cheguei até a conversar com algumas pessoas sobre Camus*. O problema é que as opiniões eram tão artificiais, tão repetitivas, tão fantasiosas (maiores até que as minhas que me julgava ignorante e esperava aprender com os meus colegas especialistas) que um dos assuntos que eu mais gostava de discutir tornou-se completamente enfadonho e repetitivo. Se eu não tivesse, anteriormente, a oportunidade de ter contato com a obra de uma mente tão sutil como a deste argelino, talvez acabasse sentindo ojeriza do autor. Lembro-me que, na faculdade, havia um professor que sempre falava: “É preciso beber água diretamente da fonte. Nem sempre sabemos o que fizeram com ela no meio do caminho”. Meu Deus! À noite foi pior ainda. Conversando com um outro sujeito (até que o papo estava bom!) sobre o desencanto que a filosofia provoca quando quebra as nossas ilusões, muitas vezes alimentadas por toda sorte de ideologias que permeiam o imaginário popular, acabei fomentando um situação inusitada. Alguém que observava a conversa teve a brilhante idéia de criar um tópico desastroso. Eu ainda tive a infelicidade de respondê-lo.
Tal tópico propunha um estranho dilema para os participantes: “É melhor ser um filósofo depressivo ou um idiota feliz?”. Pois é, muitas pessoas se enquadraram nas duas categorias. Inclusive justificando as vantagens e desvantagens inerentes à uma ou outra condição. O tópico é aparentemente ingênuo. Entretanto, quando se escolhe um desses grupos para fazer parte acaba-se admitindo que o filósofo é um indivíduo depressivo ou que os idiotas são felizes em sua inépcia. O problema é que eu não me sentia incluído em nenhuma dessas categorias. Mais uma vez acabei como o peixe fora dagua.
Esse é mais um sinal do esvaziamento, da falta de sentido proporcionada pela forma de viver que escolhemos. As ideologias, as religiões de massa, o apelo à felicidade através do consumo terminam isolando os indivíduos, que vão se tornando cada vez mais artificiais, tal qual o mundo que vivem. Eu também não estou livre. Vez ou outra também sou seduzido pelo impulso. Não resisto e “dou uma espiadinha”.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Bioética
Hoje muito se fala sobre bioética. Nos noticiários, a palavra é convocada toda vez que se discute questões relacionadas à pesquisas com embriões humanos, alimentos transgênicos ou os limites permitidos para se usar animais em experimentos científicos.
Mas afinal, o que é bioética?
Pode se dizer que é o estudo transdisciplinar entre biologia, medicina e filosofia. Surgiu da preocupação com uma administração responsável da vida humana. Tem o objetivo de dirimir questões onde não há um consenso moral no que diz respeito à suas aplicações práticas. Recorre-se à bioética quando se discute, por exemplo, o momento em que começa a vida, se no momento da fecundação ou na ocasião em que o embrião já está em estado adiantado de formação. Também é um problema da bioética a eutanásia, ou seja, determinar se um indivíduo ou a família tem o direito de ceifar uma vida humana, mesmo quando não há mais esperança de cura.
Essa discussões desembocariam num eterno dilema sem um aparato teórico para dar sustentação às opiniões a favor e contra. Isso porque há vários pontos de vista diferentes e dissidentes entre si a respeito dessa natureza de assunto. Os dogmas religiosos não estão dispostos a verem os seus princípios entrarem em contradição por causa do apoio a determinadas causas. A ciência, por sua vez tem um sentido, uma forma de ser mais prática. Há urgência por resultados. A descoberta de novos tratamentos ou conhecimentos técnicos não podem esperar o final da querela. A bioética tem justamente a função de oferecer critérios para o debate, bem como também fornecer uma fundamentação mais elaborada para determinar o que é permitido ou não nesse jogo. Esse jogo é justamente a relação entre o conhecimento biológico e os valores humanos.
Mas afinal, o que é bioética?
Pode se dizer que é o estudo transdisciplinar entre biologia, medicina e filosofia. Surgiu da preocupação com uma administração responsável da vida humana. Tem o objetivo de dirimir questões onde não há um consenso moral no que diz respeito à suas aplicações práticas. Recorre-se à bioética quando se discute, por exemplo, o momento em que começa a vida, se no momento da fecundação ou na ocasião em que o embrião já está em estado adiantado de formação. Também é um problema da bioética a eutanásia, ou seja, determinar se um indivíduo ou a família tem o direito de ceifar uma vida humana, mesmo quando não há mais esperança de cura.
Essa discussões desembocariam num eterno dilema sem um aparato teórico para dar sustentação às opiniões a favor e contra. Isso porque há vários pontos de vista diferentes e dissidentes entre si a respeito dessa natureza de assunto. Os dogmas religiosos não estão dispostos a verem os seus princípios entrarem em contradição por causa do apoio a determinadas causas. A ciência, por sua vez tem um sentido, uma forma de ser mais prática. Há urgência por resultados. A descoberta de novos tratamentos ou conhecimentos técnicos não podem esperar o final da querela. A bioética tem justamente a função de oferecer critérios para o debate, bem como também fornecer uma fundamentação mais elaborada para determinar o que é permitido ou não nesse jogo. Esse jogo é justamente a relação entre o conhecimento biológico e os valores humanos.
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