terça-feira, 19 de abril de 2011

A quem interessar

Não quero parecer chato e nem do contra, até porque, a partir do que eu posso observar no dia a dia, as palavras sem a ação não adiantam e nem resolve nada. Perdoe-me colegas, isso é só um desabafo de um cidadão que infelizmente ainda não conseguiu perder a capacidade de se indignar diante de tanta coisa que nos traz tanto sofrimento e aborrecimentos diariamente, portanto já deveria estar acostuma do e devidamente conformado. O que me aborrece ainda mais é ter a consciência de que esses problemas aparentemente tem uma solução tão simples, mas parece que um espírito sádico que vive nos calabouços das instituições brasileiras insistem em nos atormentar. Estou falando de alguns serviços públicos que parecem que foram projetados para dar errado e gerenciados para este mesmo fim.
Esta semana tentei três dias consecutivos reconhecer firma em dois cartórios de Salvador. Mesmo com funcionamento das 9:00 às 15:00, é necessário quase madrugar para conseguir pegar uma senha só para o cara comparar uma assinatura e lhe devolver o papel com uma espécie de carimbo. No terceiro dia, enfim, consegui uma senha, porém o atendimento era tão lento, que após quase duas horas de funcionamento, só haviam chamado treze pessoas. Não me conformei porque não é razoável um cidadão perder um dia inteiro só para colocar um carimbo em um documento. Fui embora para resolver outra coisa. Só para ter um parâmetro da incompetência e a ineficiência do cartório, cheguei um pouco depois na Secretaria Geral de Cursos da minha faculdade para trancar algumas disciplinas. Peguei a senha nº 88 quando só haviam chamado somente 38 pessoas e fui atendido em menos de uma hora. E olha que este tipo de atendimento me pareceu mais complexo, tendo em vista que tinha que ser preenchido requerimento, justificativas, registrar a solicitação no sistema, etc. Esse fato só me fez ficar com mais raiva ainda do péssimo atendimento do cartório. Agora me pergunto: se é um serviço essencial porque quem deveria fiscalizar não enxerga tanto descaso, tanta morosidade, tanto desrespeito para com o cidadão?
Outra coisa que não consigo entender é má qualidade da educação que é prestada nas instituições públicas de ensino básico. 25% do orçamento público deve ser aplicado em educação. Quando você imagina um país que bate recordes após recordes de arrecadação dá para se ter uma idéia na quantidade de dinheiro que é destinado para este fim. Crianças ano após ano são aprovadas para a série seguinte sem ao menos saber ler, o que deveria ser elementar, já que é a base para todos os outros conteúdos ministrados numa escola. Nos sites das secretarias de educação do Brasil todo, expõe-se, com orgulho, a educação em números. São ressaltados os avanços e a melhoria dos últimos anos. Mas o que se vê, na prática é a formação de um exercito de pessoas despreparadas, que terão como destino provável a condição de desempregados, tendo em vista a o elevado grau de exigência que se tem hoje para se entrar no mercado de trabalho. Com o aumento de pessoas que estão ingressando na classe C nos últimos anos, sobem também as mensalidades das escolas particulares e o aumento de vagas nessas instituições. Nenhum pai que dar a seu filho um coisa que ele sabe de antemão que não tem qualidade e é muito importante para o futuro dele. Ficamos reféns, encurralados e não temos outra opção a não ser pagar caro para que nossos filhos não participem dessas estatísticas duvidosas. Enfim, a quem interessa que a educação pública funcione tão mal?
Também me aflige o problema da violência. Andamos com medo. Não temos mais o direito de ir a um barzinho à noite perto de casa. Salvador bate um recorde após o outro no número de assassinatos a cada fim de semana. As pessoas estão fechando as ruas com portões. Paga-se um absurdo com estacionamento para não correr o risco de deixar o carro no meio da rua. Sem contar as empresas de segurança que se proliferam para atender a este novo nicho de mercado: o medo. É muito triste e até macabro ter que se adaptar à esta realidade. E o pior de tudo que este problema esta ganhando ares de normalidade, como se fizesse parte de uma lei natural que as coisas fossem assim e não responsabilidade do Estado, dos gestores, dos homens que tem o poder decisório nas mãos e que assistem a tudo com a maior tranqüilidade, apegados a números e gráficos que dizem que as coisas estão melhorando. Somos todos mentirosos então, porque temos que negar o que os nossos olhos vêem e sacrificar a nossa inteligência porque tem um juízo contrário diante de tantos elementos para julgamento que nos são oferecidos fartamente nos noticiários e nas situações que acompanhamos no dia a dia.
O pior de tudo é a sensação de impotência, de saber que você pode fazer pouca coisa ou quase nada. É angustiante ter que se conformar com esta realidade. O que é que está acontecendo? Como cidadão, me sinto engessado, com os dois braços amarrados para trás. O pior de tudo é que faz até medo pedir um providência a quem de direito. Parece que problema, que mesmo exposto de forma obscena, não deve ser comentado. Me perdoem, mas eu precisa respirar. Sei que isto não vai resolver nada. Mas eu precisava escrever isto para me anestesiar, para ter a sensação de estar fazendo alguma coisa.