Outro dia, quando separava papéis que não me serviam mais para jogar fora, percebi que, por mais que eu quisesse contribuir para o desenvolvimento sustentável, tema tão em voga nos dias atuais, eu não conseguiria. Juntei uma quantidade grande de papel que foi misturada com o lixo da minha casa para ser recolhido no dia seguinte.
No final de semana passado, eu, junto com alguns amigos compramos cerca de vinte latinhas de cerveja para acompanhar o pequeno churrasco que fizemos. Todas as latinhas tiveram como destino o lixo misturado com outros resíduos.
Me incomodou muito ter que jogar esse material de qualquer jeito no lixo, porque sei que, além de ser extremamente nocivo ao meio ambiente, poderia gerar emprego e renda para pessoas que vivem do recolhimento de material reciclável.
Tanto o papel quanto o alumínio possuem valor comercial no mercado da reciclagem. No carnaval, por exemplo, famílias inteiras dedicam-se à coleta desse material, porém as condições de trabalho a que se submetem são sub humanas .
Imagino que o poder público, se quiser, pode fazer muito para resolver tanto o problema do meio ambiente, quanto dar condições de trabalho dignas às pessoas que vivem do recolhimento de material reciclável. Nó cidadãos também poderíamos fazer a nossa parte de verdade, não como na história do beija-florzinho, mas atitudes efetivas que poderiam transformar a situação que temos atualmente. Em relação ao poder público, poderiam fazer o seguinte:
1) Disponibilizar em locais estratégicos reservatórios ou caixas de coleta seletiva, separando metais, vidro, plástico e papel. Mas até aí não há muita novidade, apesar de uma ação eficiente, pois já vi coletores desses principalmente próximos à hospitais.
2) A novidade seria a manutenção dessas caixas pela iniciativa privada, por exemplo, para que os cofres públicos não fossem onerados e a eficácia da ação não fosse comprometida pelos embargos burocráticos. Poderia se agir da seguinte forma:
a) Ofereceria-se incentivos fiscais para as empresas que se dispusessem a adquirir os equipamentos, bem como ceder o espaço das caixas coletoras ou reservatórios para a exploração de publicidade das empresas parceiras. Dessa forma, além de contribuir para a conservação do meio ambiente, haveria o interesse econômico a ser explorado, o que cobriria os custos e tornaria o negócio atrativo para os interessados.
b) Para contribuir com a geração de emprego, far-se-ia um cadastro das pessoas que vivem dessa atividade informalmente, sem cobertura da previdência e sem acesso aos direitos trabalhistas. Seria importante também a criação de oficinas de capacitação para orientar as pessoas que fossem trabalhar com esta atividade em aspectos como: segurança no trabalho, para evitar acidentes; administração do tempo, para que se conseguisse uma maior produtividade dentro de uma jornada de trabalho de oito horas, por exemplo; palestrantes, para incentivar os trabalhadores que poderiam sentir a sua auto estima abalada por desempenharem uma tarefa que pode ser discriminada, pelo fato de trabalharem com algo que os outros descartaram.
c) Por fim, além de conscientizar a população em geral através de campanhas publicitárias enfatizando a importância da preservação do meio ambiente pela via da coleta seletiva, reservando, ainda uma porcentagem da arrecadação pecuniária com esta atividade para instituições filantrópicas, como as que se dedicam ao tratamento de crianças com câncer, por exemplo. Assim, a população se sentiria ainda mais motivada para contribuir, tendo em que além da preservação do meio ambiente, estaria em jogo também a melhoria das condições de vida de pessoas que estão necessitadas.
Outra iniciativa simples, barata, e, até lucrativa seria a união de moradores da mesma rua ou mesmo condomínio para ter retorno financeiros ou melhorias em suas ruas ou espaços comuns. Poderia ser feito um acordo entre os moradores para que todos separassem em suas casas esses diferentes tipos de material que seriam descartados. Alguém, o zelador, o funcionário ou uma pessoa predeterminada ficaria com a responsabilidade de armazenar esse material em local adequado até que se juntasse uma quantidade suficiente para que uma empresa que trabalha com reciclagem tivesse interesse em recolhe-lo na própria rua ou domicílio. O dinheiro arrecadado, serviria como abatimento no valor do condomínio, pagamento da água, a pintura da fachada das casas, a colocação de azulejos ou pisos na extensão dos passeio dos moradores que contribuíram, patrocinaria uma festa ou a colocação de bandeirolas ou iluminação em festas como São João ou Natal. Enfim, poderia ser feita uma infinidade de coisas que, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, ainda traria benefícios econômicos para muitas pessoas. Fica aí lançada a idéia!
Um abraço.